Edição nº 137 -  05 a 12/01/2009

Editorial

2009, perspectivas

Os últimos anos demonstram que houve uma efetiva retomada de planos e ações que refletem a construção de novas e/ou renovadas perspectivas para o desenvolvimento de uma verdadeira política para o livro e a leitura no Brasil. O ano de 2008 está pleno de bons exemplos. O ano que se inicia tem o dever de avançar nas metas estabelecidas e, ao mesmo tempo, ter forças para superar as barreiras que impediram algumas metas importantes se concretizarem. O ideal que orientou todo o  trabalho feito até aqui, tendo como epicentro o PNLL, foi a transformação das ações em prol do livro e da leitura em Política de Estado, ou seja, uma política pública permanente e realizada acima dos interesses meramente locais, conjunturais ou partidários.

Abertos os dois últimos anos de mandato do atual governo, que implantou essa política, é chegada a hora de intensificar a implementação dessas políticas.

Já é o momento, por exemplo, de se instituir de maneira definitiva e firme o Fundo Pró-Leitura, compromisso empresarial já tão falado e acordado desde 2004 com a isenção de pagamento do PIS/COFINS, e que necessita ainda o encaminhamento de propostas do Executivo ao Legislativo para sua efetiva criação. O MinC acena com a criação do Fundo Setorial da Leitura, vinculado ao Fundo Nacional de Cultura, questão técnica que não deve atrasar ainda mais essa importante fonte de financiamento da Política de Estado que se quer implantar. E a crise econômica mundial não deve ser impedimento em 2009! Como lembrou o Presidente Lula, durante o lançamento do Fundo Setorial do Audiovisual, "é, justamente em época de crise, que temos de anunciar investimentos".

Outra meta para este ano é intensificar a capilarização do PNLL, de modo que cada estado e cada município tenham seus projetos e programas de incentivo à leitura - os Planos Estaduais e os Planos Municipais de Livro e Leitura. Trata-se de uma etapa importante para o cumprimento das metas nacionais relacionadas ao livro e à leitura, considerando que cada região tem melhores condições de trabalhar com seus elementos culturais específicos. Alguns estados e capitais já deram passos importantes em 2008. Vamos aprofundar esta tendência virtuosa.

Consideramos também que 2009 deva ser o ano que marque um movimento importante para a formação de mediadores de leitura, assim como 2008 marcou o início da modernização das bibliotecas e da implantação dos pontos de leitura. Reunir os especialistas e os milhares de mediadores de leitura que existem no país, integrá-los, prestigiá-los, estabelecer um sistema permanente de formação e de recursos é resolução estratégica para 2009. O PROLER e os recém-lançados Agentes de Leitura do Programa Mais Cultura, ambos do MinC, serão fundamentais nesta empreitada, juntamente com os mediadores professores que atuam no âmbito do MEC.  A ação conjunta de ambos os Ministérios será mais uma vez fundamental.  Se concretizadas, essas medidas unirão o fornecimento de bases materiais (livros, estantes, computadores etc.) ao imprescindível componente humano que deve acompanhar cada uma dessas ações. Sem recursos humanos adequados, leiam-se mediadores preparados, não haverá uma verdadeira política de formação de leitores no Brasil.

A implementação destes programas - e de outros, como a Cesta Básica do Livro, em tramitação no Senado - podem marcar 2009 como o momento da consolidação do livro e da leitura com política de Estado no Brasil. Democratizando o acesso, fomentando a leitura, valorizando a cultura e incentivando o desenvolvimento da economia do livro. Há muito trabalho por fazer e o Brasil já tem um plano para isso - o PNLL. Que saibamos cumpri-lo.

Dicas de leitura

A Princesa de Babilônia, de Voltaire
"O velho Belus, rei de Babilônia, julgava-se o primeiro homem do mundo, pois todos os seus cortesãos lho diziam e os seus historiógrafos lhe provavam. O que poderia desculpar-lhe esse ridículo era que, com efeito, seus predecessores haviam construído Babilônia mais de trinta mil anos antes, mas ele a havia embelezado. Sabe-se que o seu palácio e o seu parque, situados a algumas parasangas de Babilônia, se estendiam entre o Eufrates e o Tigre, que banhavam aquelas ribas encantadas. Sua vasta residência, de três mil passos de fachada, elevava-se até as nuvens. A plataforma era cercada de uma balaustrada de mármore branco de cinqüenta pés de altura que sustentava as estátuas colossais de todos os reis e de todos os grandes homens do Império. Essa plataforma, composta de duas ordena de tijolos cobertos de densa camada de chumbo, continha terra numa espessura de doze pés; e sobre essa terra havia erguido florestas de oliveiras, laranjeiras, limoeiros, palmeiras, cravos e caneleiras, que formavam alamedas impenetráveis aos raios do sol.

As águas do Eufrates, elevadas por bombas em cem colunas ocas, vinham até esses jardins encher vastos tanques de mármore e, retombando por outros canais, iam formar no parque cascatas de seis mil pés e cem mil repuxos cuja altura mal se podia perceber: voltavam em seguida para o Eufrates, de onde provinham. Os jardins de Semíramis, que espantaram a Ásia vários séculos depois, não passavam de uma fraca imitação dessas antigas maravilhas; pois, no tempo de Semíramis, tudo começava a degenerar entre os homens e as mulheres."
Leia o texto na íntegra

Banhos de mar, de Artur Azevedo
"Manuel Antônio de Carvalho Santos,
Negociante dos mais acreditados,
Tinha, em sessenta e tantos,
Uma casa de secos e molhados
Na Rua do Trapiche. Toda a gente
- Gente alta e gente baixa -
O respeitava. Merecidamente:

A sua firma era dinheiro em caixa.
Rubicundo, roliço,
Era já outoniço,
Pois há muito passara dos quarenta
E caminhava já para os cinqüenta.
O bom Manuel Antônio
(Que assim era chamado),
Quando do amor o deus (Deus ou demônio,
Porque como um demônio os homens tenta,
Trazendo-os num cortado)
Fê-lo gostar deveras
De uma menina que contava apenas
Dezoito primaveras,
E na candura de anjo
Causava inveja às próprias açucenas."
Leia o texto na íntegra

Favoritos

Euclides da Cunha (1866 - 1909)

"Ler Os Sertões e isso foi definitivo. O livro é tão rico, tão estimulante, que compensa o esforço que eu tive a princípio para entrar dentro da linguagem complicada de Euclides da Cunha. Para mim, Os Sertões é das melhores experiências que tive como leitor. Foi realmente o encontro com um livro muito importante, com uma experiência fundamental. Um deslumbramento, realmente, um dos grandes livros que já se escreveram na América Latina. E isso foi decisivo, isso me deu toda uma curiosidade e um interesse enorme pelo tema de Canudos e também pelo personagem de Euclides da Cunha. Assim nasceu a idéia do romance [...]  Utilizei, li com muito interesse os artigos que Euclides da Cunha havia escrito antes de ir a Canudos, os artigos que escrevia no jornal O Estado de S. Paulo, e depois as crônicas que ele escreveu quando estava na Guerra, e tudo isso era muito distinto do que ele escreveu mais tarde em Os Sertões. Essas contradições, essas mudanças de perspectiva, de opinião, para mim foram muito úteis. Há um personagem na novela que não existiria se não fosse por Euclides da Cunha, embora use muito Euclides da Cunha, que é o Jornalista Míope".

Mario Vargas Llosa fala sobre como usou a obra de Euclides da Cunha para escrever A Guerra do Fim do Mundo.

Livros de Euclides da Cunha na íntegra

Vídeos

Conheça o Portal do Pnll e cadastre sua ação.

Boletim - boletim@pnll.gov.br
Fale Conosco: portal@pnll.gov.br

Você está recebendo este Boletim por estar cadastrado em nossa lista do PNLL. A reprodução destas informações não implica custo. Caso não queira mais receber estes e-mails, clique aqui.



No virus found in this incoming message.
Checked by AVG - http://www.avg.com
Version: 8.0.233 / Virus Database: 270.10.18/1935 - Release Date: 4/2/2009 16:35