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Editorial
2009,
perspectivas
Os últimos anos demonstram que houve
uma efetiva retomada de planos e ações que refletem a construção de
novas e/ou renovadas perspectivas para o desenvolvimento de uma
verdadeira política para o livro e a leitura no Brasil. O ano de
2008 está pleno de bons exemplos. O ano que se inicia tem o dever de
avançar nas metas estabelecidas e, ao mesmo tempo, ter forças para
superar as barreiras que impediram algumas metas importantes se
concretizarem. O ideal que orientou todo o trabalho feito até
aqui, tendo como epicentro o PNLL, foi a transformação das ações em
prol do livro e da leitura em Política de Estado, ou seja, uma
política pública permanente e realizada acima dos interesses
meramente locais, conjunturais ou partidários.
Abertos os dois últimos anos de mandato
do atual governo, que implantou essa política, é chegada a hora de
intensificar a implementação dessas políticas.
Já é o momento, por exemplo, de se
instituir de maneira definitiva e firme o Fundo
Pró-Leitura, compromisso empresarial já tão falado e acordado
desde 2004 com a isenção de pagamento do PIS/COFINS, e que necessita
ainda o encaminhamento de propostas do Executivo ao Legislativo para
sua efetiva criação. O MinC acena com a criação do Fundo Setorial da
Leitura, vinculado ao Fundo Nacional de Cultura, questão técnica que
não deve atrasar ainda mais essa importante fonte de financiamento
da Política de Estado que se quer implantar. E a crise econômica
mundial não deve ser impedimento em 2009! Como lembrou o Presidente
Lula, durante o lançamento do Fundo
Setorial do Audiovisual, "é, justamente em época de crise, que
temos de anunciar investimentos".
Outra meta para este ano é intensificar
a capilarização do PNLL, de modo que cada estado e cada município
tenham seus projetos e programas de incentivo à leitura - os
Planos Estaduais e os Planos Municipais de Livro e Leitura. Trata-se
de uma etapa importante para o cumprimento das metas nacionais
relacionadas ao livro e à leitura, considerando que cada região tem
melhores condições de trabalhar com seus elementos culturais
específicos. Alguns estados e capitais já deram passos importantes
em 2008. Vamos aprofundar esta tendência virtuosa.
Consideramos também que 2009 deva ser o
ano que marque um movimento importante para a formação de mediadores
de leitura, assim como 2008 marcou o início da modernização das
bibliotecas e da implantação dos pontos de leitura. Reunir os
especialistas e os milhares de mediadores de leitura que existem no
país, integrá-los, prestigiá-los, estabelecer um sistema permanente
de formação e de recursos é resolução estratégica para 2009. O
PROLER e os recém-lançados Agentes de Leitura do Programa Mais
Cultura, ambos do MinC, serão fundamentais nesta empreitada,
juntamente com os mediadores professores que atuam no âmbito do
MEC. A ação conjunta de ambos os Ministérios será mais uma vez
fundamental. Se concretizadas, essas medidas unirão o
fornecimento de bases materiais (livros, estantes, computadores
etc.) ao imprescindível componente humano que deve acompanhar cada
uma dessas ações. Sem recursos humanos adequados, leiam-se
mediadores preparados, não haverá uma verdadeira política de
formação de leitores no Brasil.
A implementação destes programas -
e de outros, como a Cesta
Básica do Livro, em tramitação no Senado - podem marcar
2009 como o momento da consolidação do livro e da leitura com
política de Estado no Brasil. Democratizando o acesso, fomentando a
leitura, valorizando a cultura e incentivando o desenvolvimento da
economia do livro. Há muito trabalho por fazer e o Brasil já tem um
plano para isso - o PNLL. Que saibamos
cumpri-lo. |
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Dicas de leitura
A Princesa de Babilônia, de
Voltaire "O velho Belus, rei de Babilônia, julgava-se o
primeiro homem do mundo, pois todos os seus cortesãos lho diziam e
os seus historiógrafos lhe provavam. O que poderia desculpar-lhe
esse ridículo era que, com efeito, seus predecessores haviam
construído Babilônia mais de trinta mil anos antes, mas ele a havia
embelezado. Sabe-se que o seu palácio e o seu parque, situados a
algumas parasangas de Babilônia, se estendiam entre o Eufrates e o
Tigre, que banhavam aquelas ribas encantadas. Sua vasta residência,
de três mil passos de fachada, elevava-se até as nuvens. A
plataforma era cercada de uma balaustrada de mármore branco de
cinqüenta pés de altura que sustentava as estátuas colossais de
todos os reis e de todos os grandes homens do Império. Essa
plataforma, composta de duas ordena de tijolos cobertos de densa
camada de chumbo, continha terra numa espessura de doze pés; e sobre
essa terra havia erguido florestas de oliveiras, laranjeiras,
limoeiros, palmeiras, cravos e caneleiras, que formavam alamedas
impenetráveis aos raios do sol.
As águas do Eufrates, elevadas por
bombas em cem colunas ocas, vinham até esses jardins encher vastos
tanques de mármore e, retombando por outros canais, iam formar no
parque cascatas de seis mil pés e cem mil repuxos cuja altura mal se
podia perceber: voltavam em seguida para o Eufrates, de onde
provinham. Os jardins de Semíramis, que espantaram a Ásia vários
séculos depois, não passavam de uma fraca imitação dessas antigas
maravilhas; pois, no tempo de Semíramis, tudo começava a degenerar
entre os homens e as mulheres." Leia
o texto na íntegra
Banhos de mar, de Artur
Azevedo "Manuel Antônio de Carvalho
Santos, Negociante dos mais acreditados, Tinha, em sessenta e
tantos, Uma casa de secos e molhados Na Rua do Trapiche. Toda
a gente - Gente alta e gente baixa - O respeitava.
Merecidamente:
A sua firma era dinheiro em
caixa. Rubicundo, roliço, Era já outoniço, Pois há muito
passara dos quarenta E caminhava já para os cinqüenta. O bom
Manuel Antônio (Que assim era chamado), Quando do amor o deus
(Deus ou demônio, Porque como um demônio os homens
tenta, Trazendo-os num cortado) Fê-lo gostar deveras De uma
menina que contava apenas Dezoito primaveras, E na candura de
anjo Causava inveja às próprias açucenas." Leia
o texto na íntegra |
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Favoritos
Euclides da Cunha (1866 - 1909)
"Ler Os Sertões e isso foi definitivo. O livro é tão rico, tão
estimulante, que compensa o esforço que eu tive a princípio para
entrar dentro da linguagem complicada de Euclides da Cunha. Para
mim, Os Sertões é das melhores experiências que tive como leitor.
Foi realmente o encontro com um livro muito importante, com uma
experiência fundamental. Um deslumbramento, realmente, um dos
grandes livros que já se escreveram na América Latina. E isso foi
decisivo, isso me deu toda uma curiosidade e um interesse enorme
pelo tema de Canudos e também pelo personagem de Euclides da Cunha.
Assim nasceu a idéia do romance [...] Utilizei, li com muito
interesse os artigos que Euclides da Cunha havia escrito antes de ir
a Canudos, os artigos que escrevia no jornal O Estado de S. Paulo, e
depois as crônicas que ele escreveu quando estava na Guerra, e tudo
isso era muito distinto do que ele escreveu mais tarde em Os
Sertões. Essas contradições, essas mudanças de perspectiva, de
opinião, para mim foram muito úteis. Há um personagem na novela que
não existiria se não fosse por Euclides da Cunha, embora use muito
Euclides da Cunha, que é o Jornalista Míope".
Mario Vargas Llosa fala
sobre como usou a obra de Euclides da Cunha para escrever A
Guerra do Fim do Mundo.
Livros de Euclides da Cunha na
íntegra
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