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Mais cultura,
mais livros
Em 2007, foi lançado o Programa
Mais Cultura, com uma previsão de investimentos de R$ 4,7
bilhões até 2010. O orçamento do MinC para o Programa Mais Cultura
em 2008 atingiu R$ 226 milhões. Dentro deste programa, foi criado o
Concurso Pontos
de Leitura 2008 - Edição Machado de Assis, que teve mais de 700
inscritos. Já o Projeto
Leitura para Todos anunciou, em setembro, a implantação de 122
salas de leitura, sendo que cada unidade é composta por um acervo de
mil livros – 500 títulos com dois exemplares cada, um para
empréstimo e outro para leitura no local. Também vale lembrar do
Fórum Literatura na Escola – Biblioteca Escolar e
Mediação da Leitura, promovido pelos ministérios da Educação e
da Cultura, que aconteceu em Brasília nos dias 24 e 25 de julho,
quando foi feita uma série de sugestões para o fomento à leitura e à
difusão da literatura brasileira.
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Intercâmbio de
experiências e idéias
Em 2008, houve a intensificação da
troca de experiências nacionais e internacionais entre profissionais
e demais interessados na promoção e incentivo à leitura. Este foi um
dos objetivos, por exemplo, do II Fórum do Plano Nacional do
Livro e Leitura (clique
aqui para ler o relatório final) que, em agosto, debateu a
valorização das bibliotecas e disseminação da informação. Na
ocasião, foram apresentadas e discutidas as experiências de promoção
e incentivo à leitura nas diversas regiões do Brasil, assim como
projetos da França, Chile e Colômbia. Concomitantemente, no
I Seminário Internacional de Bibliotecas Públicas e
Comunitárias, foram apresentadas experiências nacionais e
internacionais bem sucedidas na área de promoção, mediação e
incentivo à leitura, incluindo projetos de acessibilidade para
pessoas com baixa visão e cegas. E a mesma ênfase no diálogo foi
vista no III Seminário dos Planos Nacionais do Livro e Leitura
no Mercosul, que aconteceu em novembro, quando se discutiu
políticas de desenvolvimento da prática da leitura e o processo de
constituição e consolidação dos planos nacionais de livro e leitura
no Mercosul e demais países da América Latina. |
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Instituto
Nacional do Livro
A recriação
do Instituto Nacional do Livro (INL) foi um dos temas mais
debatidos este ano por editores, escritores e livreiros. Em agosto,
durante a 20ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, o ministro
da Cultura Juca Ferreira recebeu um documento pedindo a volta do
INL. Em outubro, este foi um dos temas discutidos no I Seminário
de Políticas de Incentivo à Leitura no Brasil. O Governo
Federal negocia a criação do Instituto do Livro e Leitura no Brasil,
que deverá centralizar a gestão política, hoje a cargo da Fundação
Biblioteca Nacional, e administrará o orçamento do MinC para esse
setor. A contribuição estimada do mercado é de R$ 60 milhões por ano
e a do governo, R$ 40 milhões. Para o secretário executivo do PNLL,
José Castilho Marques Neto, “com o instituto, haverá maior poder de
pressão e aglutinação de verbas. É uma forma de reforçar a
musculatura para as políticas do livro”. |
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Fundo Pró-Leitura
O Fundo Pró-Leitura é a contrapartida
do setor livreiro – com 1% de seu faturamento anual – à
desoneração de PIS e Cofins sobre o livro. A previsão é que gere
cerca de R$ 46 milhões por ano para ações que democratizem o acesso
ao livro e transformem a qualidade da capacidade leitora no Brasil.
Mas ainda há discussões sobre essa contribuição. No dia 29 de
outubro, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, afirmou
que o Fundo Pró-Leitura – forma de financiamento das ações
previstas no Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) – poderá ser
criado por decreto presidencial. Caso a proposta de criação do fundo
precise passar pelo Congresso, o ministro acredita que terá apoio de
deputados e senadores para sua aprovação. |
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Retratos da
Leitura no Brasil
Elaborada pelo Instituto Pró-Livro, a
pesquisa Retratos
da Leitura no Brasil teve seus resultados divulgados em maio. O
estudo indica que o Brasil tem hoje cerca de 95 milhões de leitores
– número deduzido a partir da porcentagem de pessoas que declararam
ter lido pelo menos um livro nos últimos três meses. Foram
entrevistadas mais de cinco mil pessoas em 311 municípios
brasileiros. Entre outros dados, a pesquisa mostra que os
brasileiros estão lendo mais, que há mais mulheres leitoras do que
homens e que apenas um décimo da população tem o hábito de
freqüentar bibliotecas. A Bíblia é o livro mais conhecido pelos
brasileiros – 43 milhões de pessoas afirmam já a terem lido. Na
lista dos autores mais populares no país, Monteiro Lobato, Paulo
Coelho, Jorge Amado e Machado de Assis. Em média, o brasileiro lê
4,7 livros a cada ano. |
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Seminário de
Políticas de Incentivo à Leitura no Brasil
Em outubro, autoridades e especialistas
se reuniram em Brasília para debater políticas públicas na área do
livro e da leitura. O ministro da Cultura, Juca Ferreira, considerou
o Instituto Nacional do Livro (INL) essencial para que haja “uma
estrutura mínima que dê capacidade à articulação do conhecimento,
das técnicas necessárias ao seu desenvolvimento”. O Seminário também
tratou de outros assuntos fundamentais para o desenvolvimento do
Brasil como sociedade leitora. Dentre esses temas, segundo Jéferson
Assumção, então coordenador geral do livro e leitura do MinC, estão
“o financiamento, através da criação do Fundo Pró-Leitura e a
recuperação da institucionalidade do livro, com o Instituto Nacional
do Livro e Leitura”. Já os avanços e obstáculos do PNLL foram
discutidos por José Castilho Marques Neto, secretário executivo do
Plano Nacional do Livro e Leitura, na primeira mesa de debates.
Também estiveram presentes no evento o senador Cristovão Buarque,
que defendeu o projeto da criação do Dia da Leitura no dia das
crianças (12 de outubro) e o deputado Geraldo Magela (PT-DF), que
debateu na Mesa II a criação de uma entidade autônoma para o
livro. |
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Acordo
ortográfico
O Novo
Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa propõe uma ortografia
única a ser usada por todos os países de língua portuguesa. Foi
assinado em 1991, mas apenas este ano foi ratificado por todos os
governos. O Acordo possibilita a criação de normas ortográficas
comuns para as variantes da língua portuguesa, facilita a difusão
bibliográfica e de novas tecnologias, reduz o custo econômico e
financeiro da produção de livros e documentos. Em outubro, o
Ministério da Educação anunciou que irá comprar e distribuir, em
2009, dicionários
já atualizados com as novas regras. |
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Ano Nacional Machado de
Assis
Para marcar o centenário da morte
daquele que talvez seja o maior expoente das letras brasileiras,
2008 foi declarado o Ano
Nacional Machado de Assis. Seminários, conferências, exposições
e lançamentos foram dedicados ao autor de Memórias Póstumas de
Brás Cubas, Dom Casmurro, Memorial de Aires e
outros romances, além de contos, poesias, artigos, crônicas e peças
de teatro. Um ano também em que se celebrou o
nascimento de dois outros gigantes da literatura: o Padre Vieira,
400 anos, e Guimarães Rosa, 100 anos. |
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O futuro do
livro e da leitura
Desde que começou a rápida difusão das
mídias digitais em meados dos anos 90, freqüentemente se coloca a
questão da sobrevivência do livro impresso – e também das editoras.
A edição 02 do Libro
al Dia, publicado em abril pelo Cerlalc (Centro Regional para o
Fomento ao Livro na América Latina e Caribe), é dedicada a pensar as
oportunidades abertas com o mundo digital, questionando sobre como
essas tecnologias afetam o sistema de produção e o acesso ao livro e
quais são os benefícios da Internet. Em maio, Robert McCrum, editor
de livros do The
Observer, escreveu seu último texto para o jornal britânico.
Tratava-se justamente de uma reflexão sobre as transformações
presenciadas por ele nos últimos 10 anos, quando um mundo de “papel,
tinta, café e cigarros” foi revolucionado por novos escritores,
muito dinheiro, a internet, prêmios lucrativos e festivais
literários. E as inovações não param, como mostra o sucesso em 2008
dos “telefones inteligentes”. Já há serviços de compra e leitura de
livros por esta nova
mídia, que trazem algumas adaptações, como “lembretes
automáticos dos livros que pararam de ler, particularmente quando
mudarem de músicas ou estiverem atendendo o celular”. Paralelamente,
em 2008 também se debateu o fortalecimento das habilidades
empresariais dos livreiros latino-americanos, como aconteceu no
Seminário Internacional para Editores e Livreiros “A livraria e seus
clientes”, promovido pelo Cerlalc em outubro, no México. Outro
seminário da mesma instituição discutiu, em setembro, indicadores
culturais latino-americanos. |
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Alguns eventos
de 2008
III Seminário dos Planos
Nacionais do Livro e Leitura no Mercosul Durante os dias
26 e 27 de novembro, foi realizado em São Paulo, no Museu da Língua
Portuguesa, ocasião em que foram apresentados o estágio de
desenvolvimento do plano do livro e leitura em cada país do Mercosul
e discutidas várias medidas e propostas de ações em comum.
II Fórum do Plano Nacional do
Livro e Leitura Em agosto, reuniu em São Paulo cerca de
500 profissionais e interessados na promoção e incentivo à leitura,
na valorização das bibliotecas e na disseminação da informação. Além
de uma retrospectiva de dois anos do PNLL, analisando avanços e
dificuldades encontradas, foram apresentadas e discutidas as
experiências de promoção e incentivo à leitura nas diversas regiões
do Brasil, assim como projetos da França, Chile e Colômbia. Saiba mais.
PNLL: Bibliotecas e Mediadores
pela Leitura no Brasil Durante a Bienal do Livro de
Minas Gerais, em maio, diversas mesas-redondas discutiram o PNLL, o
Prêmio VivaLeitura e o Proler.
Congresso
Moçambique-Brasil O tema Digitalização, democracia e
diversidade foi o objeto principal de discussão na primeira
edição deste evento na cidade de Maputo, em Moçambique, entre os
dias 9 e 12 de junho, que contou com a participação de professores
brasileiros e moçambicanos, além de exposições e debates. Saiba
mais.
20ª Bienal do Livro de São
Paulo Em agosto, o PNLL fez sua estréia na Bienal
Internacional do Livro de São Paulo. Em um espaço de 150 metros
quadrados, divulgou os projetos cadastrados em seu Mapa de Ações e
as iniciativas dos Ministérios da Cultura e da Educação relacionadas
ao livro e à leitura.
Olimpíada de Língua Portuguesa
Escrevendo o Futuro O projeto tem como objetivo levar
para a sala de aula novas metodologias de ensino que estimulem a
leitura e a escrita nas escolas públicas. Os vencedores foram
anunciados em dezembro. Saiba
mais.
Fórum Literatura na
Escola Promovido pelo MEC e MinC em julho, apresentou
uma série de sugestões para o fomento à leitura e à difusão da
literatura brasileira. Entre elas, a reintrodução do estudo da
literatura nas diretrizes das escolas de educação básica, a
manutenção de acervos bibliográficos, a transformação da biblioteca
em um espaço que seja o ‘cérebro da escola’, a mudança no currículo
de formação do bibliotecário e a formação inicial e continuada do
professor. Saiba
mais. |
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Dicas de leitura
Singularidades de uma Rapariga Loura, de José Maria
Eça de Queirós "Começou por me dizer que o seu caso era
simples — e que se chamava Macário... Devo contar que conheci
este homem numa estalagem do Minho. Era alto e grosso: tinha uma
calva larga, luzidia e lisa, com repas brancas que se lhe eriçavam
em redor: e os seus olhos pretos, com a pele em roda engelhada e
amarelada, e olheiras papudas, tinham uma singular clareza e
rectidão — por trás dos seus óculos redondos com aros de tartaruga.
Tinha a barba rapada, o queixo saliente e resoluto. Trazia uma
gravata de cetim negro apertada por trás com uma fivela; um casaco
comprido cor de pinhão, com as mangas estreitas e justas e canhões
de veludilho. E pela longa abertura do seu colete de seda, onde
reluzia um grilhão antigo — saíam as pregas moles de uma camisa
bordada. Era isto em Setembro; já as noites vinham mais cedo com
uma friagem fina e seca e uma escuridão aparatosa. Eu tinha descido
da diligência, fatigado, esfomeado, tiritando num cobrejão de
listras escarlates." Leia
este e outros contos de Eça de Queirós
Canções e Elegias, de Luís Vaz de Camões “A
instabilidade da Fortuna, os enganos suaves de Amor
cego, (suaves, se duraram longamente), direi, por dar à vida
algum sossego; que, pois a grave pena me importuna, importune
meu canto a toda a gente. E se o passado bem co mal
presente me endurece a voz no peito frio, o grande
desvario dará de minha pena sinal certo, que um erro em tantos
erros é concerto. E, pois nesta verdade me confio (se verdade
se achar no mal que digo), caiba o mundo de Amor o
desconcerto, que já co a Razão se fez amigo, só por não deixar
culpa sem castigo.
Já Amor fez leis, sem ter comigo alguma; já se tornou, de
cego, arrazoado, só por usar comigo sem-razões. E, se em
alguma cousa o tenho errado, com siso, grande dor não vi
nenhuma, nem ele deu sem erros afeições. Mas, por usar de suas
isenções, buscou fingidas causas por matar-me; que, para
derrubar-me no abismo infernal de meu tormento, não foi
soberbo nunca o pensamento, nem pretende mais alto
levantar-me daquilo que ele quis; e se ele ordena que eu pague
seu ousado atrevimento, saiba que o mesmo Amor que me
condena me fez cair na culpa e mais na pena.” Leia
este poema e outros de Camões na
íntegra |
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