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Editorial
Em 2008, lembramos de Machado de Assis,
de Padre Vieira e Guimarães Rosa, gigantes da literatura brasileira.
Foi o ano em que, após mais de uma década, aprovou-se o Acordo
Ortográfico da Língua Portuguesa, que pode contribuir para que o
português seja um dos idiomas oficiais da ONU. Aprofundou-se a
relação desta antiga mídia que é o livro com as novas tecnologias,
descobrindo-se novas plataformas de leitura - caso dos
celulares.
Mas também foi um ano fértil em
discussões sobre políticas públicas para o livro e a leitura. Na
próxima edição do Boletim do PNLL, iremos lembrar de alguns eventos
que marcaram 2008. Agora, é tempo de refletirmos sobre os rumos que
foram tomados e o papel estratégico que o PNLL exerceu para fazer
cumprir sua missão principal: induzir e colaborar para a construção
de uma Política de Estado para que, junto com a Sociedade, se
desenvolva a capacidade leitora de todo o povo
brasileiro.
Durante o II Fórum do Plano Nacional do
Livro e Leitura, que aconteceu em agosto, já foi possível apontar
para uma importante mudança de mentalidade e da aceitação do PNLL
como ponto de reflexão e referência para as políticas públicas do
setor. O Ministério da Educação, que ano a ano intensifica a
distribuição de centenas de milhões de livros didáticos, passou a
priorizar também a aplicação de recursos na formação de
professores-leitores, a criação de bibliotecas em salas de aula e
abriu o debate com a sociedade para a reintrodução da literatura
como matéria curricular. No Ministério da Cultura, a aplicação
integral dos planos do "Mais Cultura" na área do livro e leitura
pode significar uma verdadeira revolução no sistema de bibliotecas
públicas e nas formas de se relacionar com os potenciais leitores,
através dos Pontos de Leitura e dos Agentes de Leitura.
Um dos acontecimentos mais importantes
na área do apoio político à luta por uma sociedade leitora foi a
criação da Frente Parlamentar pela Leitura, liderada pelo deputado
Marcelo Almeida. As iniciativas pelo fortalecimento político
estratégico da leitura para os brasileiros, que já vinham sendo
tomadas pelo poder executivo e pela sociedade agora contam com o
apoio de enorme contingente de deputados e senadores da
república.
Por iniciativa de editores, escritores
e livreiros, foi retomado o debate para a maior institucionalização
do livro e da leitura junto ao governo federal, com a entrega de
Manifesto que propõe a recriação da Secretaria Nacional do Livro e
Leitura ao ministro Juca Ferreira durante a Bienal Internacional do
Livro de São Paulo. Nesse mesmo manifesto selaram-se, mais uma vez,
o apoio do mercado livreiro ao PNLL e às outras iniciativas
governamentais. O assunto evoluiu com a proposta posterior do
ministro em criar o novo Instituto Nacional do Livro e Leitura, tema
também debatido no Congresso Nacional quando se realizou, por
iniciativa da Frente Parlamentar pela Leitura, o I Seminário de
Políticas de Incentivo à Leitura no Brasil. Na ocasião, o ministro
da Cultura, apoiado pelos deputados e senadores presentes, afirmou
que o INLL é essencial para o desenvolvimento do patamar alcançado
pelo MinC na área do livro e da leitura, tarefa das mais complexas e
importantes do Ministério. Embora o debate ainda prossiga, o MinC já
deu mais um passo para recolocar o livro e a leitura nos patamares
mais altos do Ministério: acaba de ser criada a Diretoria do
Livro e Leitura, vinculada à Secretaria Geral do Ministério e que
substitui a Coordenadoria Geral do Livro e
Leitura.
Outra ação importante que envolveu
esses setores em 2008 avançou mais alguns passos, inclusive com o
importante aval de parte expressiva do Congresso Nacional, foi o
debate em torno do Fundo Pró-Leitura, cuja proposta é arrecadar 1%
do mercado livreiro nacional, cerca de R$ 50 milhões anuais, para
ações que democratizem o acesso ao livro e transformem a qualidade
da capacidade leitora no Brasil. 2009 será crucial para
encerrar a fase de debates e instituir de uma vez por todas o fundo,
que provavelmente ocorrerá no formato de Fundo Setorial da Leitura,
vinculado ao Fundo Nacional de Cultura.
Por fim, cabe registrar a
intensificação da troca de experiências nacionais e internacionais
na área de promoção, mediação e incentivo à leitura. Eventos como o
Seminário Literatura na Escola, o I Seminário Internacional de
Bibliotecas Públicas e Comunitárias, o II Fórum do Plano Nacional do
Livro e Leitura e o III Seminário do Plano Nacional do Livro e
Leitura no Mercosul (veja notas abaixo) proporcionaram o intercâmbio
cultural tanto entre as regiões do Brasil quanto entre os países da
América Latina.
São estes os desafios postos para
continuarmos a construir as bases do desenvolvimento da leitura no
Brasil. E aqui se reafirma a intenção de manter e fazer crescer o
PNLL como um instrumento que induz às políticas de desenvolvimento
do livro e da leitura, de espaço de diálogo e inter-relação, de
convívio e expressão democrática do lugar e do papel da leitura na
sociedade brasileira. |
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Pontos de
Leitura
Foram publicados na edição 248 do Diário
Oficial da União os nomes dos vencedores do concurso Pontos
de Leitura 2008: Homenagem a Machado de Assis. Cada projeto
receberá um kit composto por 500 exemplares de material
bibliográfico, sendo 50% de obras de ficção, 25% de não-ficção e 25%
de referência; um computador; e mobiliário básico para biblioteca.
As iniciativas selecionadas estão presentes nos 410 municípios
atendidos pelo Programa Territórios da Cidadania 2008, nas áreas do
Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci) e
municípios prioritários do Mais Cultura (leia
mais sobre o Concurso Pontos de Leitura). |
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Uma biblioteca
para o Mercosul
Durante III Seminário do Plano Nacional
do Livro e Leitura no Mercosul, realizado em São Paulo durante dias
26 e 27 de novembro, o Brasil apresentou a proposta, aceita por
unanimidade, de criar uma biblioteca do Mercosul. A idéia é
estimular o intercâmbio cultural entre os países da região, com cada
um selecionando mil títulos dentre seus autores e os doando aos
demais membros. Periodicamente, seriam feitas atualizações. A medida
deverá agora ser discutida por cada um dos países-membros para sua
viabilização e implantação. |
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Participação
de países do Mercosul nas feiras regionais
Outra proposta discutida no III
Seminário do Plano Nacional do Livro e Leitura no Mercosul e que
ganhou o apoio de todos os presentes foi a de que os países-membros
passem a convidar os demais para participação em suas feiras de
livro, de modo a promover a circulação de obras, autores e
informações sobre seus planos de livros e leitura. A medida viria
fortalecer a difusão de autores nacionais nos países da região.
Também se cogitou a criação do Prêmio Mercosul para a
estimular iniciativas que promovam a renovação da pedagogia aplicada
à leitura e escrita. A instituição do prêmio permitiria o
fortalecimento de uma base de dados sobre as experiências
bem-sucedidas. |
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Fortalecimento
de bibliotecas escolares e públicas
A necessidade do fortalecimento das
bibliotecas escolares e públicas foi amplamente discutido durante o
seminário do PNLL no Mercosul, incluindo tanto a formação dos
profissionais que nelas atuam, como também sua forma de gestão.
Nesse sentido, foi reforçada a importância de cada município contar
com uma biblioteca. Foram destacados, ainda, o plano colombiano de
implantação de bibliotecas em áreas rurais e indígenas e o projeto
chileno "Ler antes de apreender a ler", voltado para crianças de
três a cinco anos de idade. E se levantou a idéia de se instalar uma
rede de bibliotecas públicas do Mercosul, reunindo os responsáveis
nacionais pelas bibliotecas públicas. Essa instância permitiria
intensificar os trabalhos de intercâmbio de informação, programas de
formação, promoção da institucionalização dos sistemas de
bibliotecas e produção de material de apoio para formação e gestão
de projetos especiais. |
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Biblioteca
Nacional de Brasília começa a funcionar
A primeira inauguração foi há dois
anos, mas uma polêmica sobre a incidência do sol no edifício,
que prejudicaria o acervo, impediu que ela começasse a funcionar.
Agora, desde o último dia 11 de dezembro, as instalações da
Biblioteca Nacional de Brasília estão abertas
com 50 mil livros à disposição e a expectativa da visita de três mil
a cinco mil pessoas por dia. Segundo a Agência Brasil, "o Ministério
da Cultura fez um repasse de R$ 2,5 milhões, que deve ser publicado
no Diário Oficial da União nos próximos dias". Dinheiro que deve ser
destinado para a compra de mais de 150 mil
exemplares. |
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Biblioteca
supre necessidade de leitura em Alagoas
Localizado em uma região onde havia
defasagem de material literário para alunos de escolas estaduais e
municipais de São Sebastião em Alagoas, o projeto Biblioteca
Comunitária de São Sebastião, tem como objetivo principal suprir
essa carência, organizando uma biblioteca principalmente em torno de
livros doados. A iniciativa ainda estimula o combate à exclusão
social, além de promover eventos culturais abertos a toda a
população da região. Integrante do Eixo
1 do PNLL (Democratização da Leitura), a biblioteca atende a
todas as pessoas do município, fazendo parcerias com diversas
entidades para fomentar o hábito de leitura. |
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Plano Nacional
do Livro Didático abre inscrições para 2011
Estão abertas as inscrições, no âmbito
do Plano Nacional do Livro Didático de 2011 - PNLD 2011, para o
processo de avaliação e seleção de coleções didáticas destinadas aos
alunos dos anos finais do ensino fundamental 1. De acordo com o edital,
o cadastramento ocorre dos dias 12/01 a 27/03/2009 e a entrega das
coleções e da documentação ocorrerá entre os dias 13 e 17/04 do
mesmo ano. Após este prazo, os livros serão avaliados em termos de
qualidade por uma comissão. |
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Dicas de
leitura
Milagre do Natal, de
Afonso Henriques de Lima Barreto "O bairro do Andaraí é
muito triste e muito úmido. As montanhas que enfeitam a nossa
cidade, aí tomam maior altura e ainda conservam a densa vegetação
que as devia adornar com mais força em tempos idos. O tom plúmbeo
das árvores como que enegrece o horizonte e torna triste o
arrabalde. Nas vertentes dessas mesmas montanhas, quando dão para
o mar, este quebra a monotonia do quadro e o sol se espadana mais
livremente, obtendo as cousas humanas, minúsculas e mesquinhas, uma
garridice e uma alegria que não estão nelas, mas que sê percebem
nelas. As tacanhas casas de Botafogo se nos afigura assim; as
bombásticas "vilas" de Copacabana, também; Era numa rua desse
bairro que morava Feliciano Campossolo Nunes, chefe de seção do
Tesouro Nacional, ou antes e melhor: subdiretor. A casa era própria
e tinha na cimalha este dístico pretensioso: "Vila Sebastiana". O
gosto da fachada, as proporções da casa não precisam ser descritas:
todos conhecem um e as outras. Na frente, havia um jardinzinho que
se estendia para a esquerda, oitenta centímetros a um metro, além da
fachada. Era o vão que correspondia à varanda lateral, quase a
correr todo o prédio. Campossolo era um homem grave, ventrudo,
calvo, de mãos polpudas e dedos curtos. Não largava a pasta de
marroquim em que trazia para a casa os papéis da repartição com o
fito de não lê-los; e também o guarda-chuva de castão de ouro e
forro de seda. Pesado e de pernas curtas, era com grande dificuldade
que ele vencia os dous degraus dos "Minas Gerais" da Light,
atrapalhado com semelhantes cangalhas: a pasta e o guarda chuva de "
ouro". Usava chapéu de coco e cavanhaque." Leia o texto
na íntegra
Chove. É dia de Natal,
de Fernando Pessoa Chove. É dia de Natal. Lá para o
Norte é melhor: Há a neve que faz mal, E o frio que ainda é
pior.
E toda a gente é contente Porque é
dia de o ficar. Chove no Natal presente. Antes isso que
nevar.
Pois apesar de ser esse O Natal da
convenção, Quando o corpo me arrefece Tenho o frio e Natal
não.
Deixo sentir a quem quadra E o Natal
a quem o fez, Pois se escrevo ainda outra quadra Fico gelado
dos pés. Leia
outras poesias de Fernando
Pessoa |
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Favoritos
Cruz e Souza (1861 -
1898)
O coração de todo o ser humano Foi
concebido para ter piedade, Para olhar e sentir com
caridade Ficar mais doce o eterno desengano.
Para da vida em cada rude
oceano Arrojar, através da imensidade, Tábuas de salvação, de
suavidade, De consolo e de afeto soberano.
Sim! Que não ter um coração
profundo É os olhos fechar à dor do mundo, ficar inútil nos
amargos trilhos.
É como se o meu ser campadecido Não
tivesse um soluço comovido Para sentir e para amar meus
filhos!
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Prêmios
Literários
35ª Seleção Anual FNLIJ - Prêmio FNLIJ 2009 (Produção
2008) Período de inscrições: até 31 de dezembro
de 2008 Aberto a: todos os profissionais do livro e
editoras que tenham títulos em língua portuguesa. Mais
informações
5º Prêmio Barco a Vapor Período de
inscrições: até 28 de fevereiro de 2009 Aberto a: a
todos os escritores com mais de 18 anos que apresentem originais
dirigidos a leitores entre 6 e 13 anos. Premiação: R$ 30
mil Mais
informações
VIII Prêmio Livraria Asabeça 2009 Período
de inscrições: 30 de junho de 2009 Premiação: um
contrato de edição e impressão Mais
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