Edição nº 133 –  08 a 14/12/2008

Cancioneiros literários

Ensinar a desvendar os códigos do texto a novos leitores é a meta do grupo Cancioneiros Literários, formado por adolescentes e professores de Porto Alegre que desejam despertar nas pessoas a paixão pela leitura. Para isso, o projeto gaúcho, que integra o Eixo 2 (Fomento à Leitura e à Formação de Mediadores) do PNLL, utiliza a música, adaptando de clássicos da literatura a obras direcionadas ao vestibular. Segundo suas diretrizes, "os cancioneiros procuram desenvolver um trabalho diferenciado com música e literatura, construindo nas intervenções que faz novas formas de ver e rever o texto poético, buscando compartilhar o sentimento que a obra de arte suscita". O trabalho também pode ser acompanhado por meio do Blog que o grupo mantém na Internet.

Projeto implanta e implementa Biblioteca Comunitária em João Pessoa (PB)

O projeto Implantação e Implementação da Biblioteca Comunitária do Bairro São José, de João Pessoa (PB), visa contribuir para o acesso à informação e ao conhecimento num local reconhecido pela população como violento, com a intenção de tornar a biblioteca uma referência para outras comunidades da Grande João Pessoa. Integrante do Eixo 1 do PNLL (Democratização do Acesso), o projeto beneficia cerca de 200 pessoas, levando autores para palestras e debates no local e crianças para conhecerem gráficas, editoras e museus de escritores paraibanos renomados.

Brasil e Argentina firmam parceria na área cultural

Buscando um maior intercâmbio cultural, Brasil e Argentina aprovaram no último dia 2 o Programa Executivo Cultural, que apresenta as diretrizes de ambos os governos e temas dos Ministérios da Cultura. Segundo registra o site do MinC, o "governo argentino também demonstrou interesse em conhecer melhor as experiências brasileiras nas áreas de fomento e incentivo à cultura, museus, livro, leitura e bibliotecas". O Programa Executivo divide-se em 68 artigos, organizados nas seções: Preâmbulo; Disposições Gerais; Artes Visuais; Música; Artes Cênicas e Performáticas; Audiovisual; Livro, Leitura e Literatura; Cooperação entre Bibliotecas, Arquivos e Pesquisadores da Área Cultural; Capacitação de Agentes Públicos; Mecanismos de Incentivo à Cultura; Diversidade Cultural; Direitos Autorais e Direitos Conexos; Preservação e Salvaguarda de Bens Culturais e Cooperação na Área de Museus; Esforços Conjuntos no Âmbito do Mercosul Cultural; e Disposições Finais.

Biblioteca Nacional doa livros para Instituto Confúcio na Unesp

A Biblioteca Nacional doará cerca de 100 livros para o Instituto Confúcio na Unesp, recém-inaugurado em São Paulo. O lote, proveniente de uma doação efetuada pela Biblioteca Nacional da China, trata de assuntos como História, Política, Filosofia, Biografia, entre outros, e está escrito majoritariamente em inglês. As obras serão repassadas pois o perfil dos livros adapta-se melhor ao instituto paulista e o prazo para chegada dos livros a São Paulo é de aproximadamente um mês.

Juan Marsé vence o Prêmio Cervantes

O escritor catalão Juan Marsé, autor de Últimas tardes com Teresa e Rabos de Lagartixa, venceu o Prêmio Cervantes, considerado o maior prêmio em língua espanhola. Segundo José Manuel Blecua, presidente dos jurados, a escolha se deve "por sua vocação para a escrita, por sua vida dura e sua capacidade de refletir a Espanha do pós-guerra". "Para grande parte da crítica", registra o jornal O Estado de S. Paulo, "o universo de Marsé, cheio de personagens perdedores e sem esperança, reflete à perfeição o sofrimento que entre 1940 e 1950 padeceu o grupo derrotado na luta contra a ditadura do general Francisco Franco".

Prêmio São Paulo de Literatura consagra Cristovão Tezza

Cristovão Tezza e Tatiana Levy foram os vencedores do Prêmio São Paulo de Literatura. Tezza, cujo O Filho Eterno já lhe rendera os prêmios Jabuti e Portugal Telecom, ganhou na categoria Melhor Livro do Ano. Desta vez, O Filho Eterno concorreu com Antonio, de Beatriz Bracher, O sol se põe em São Paulo, de Bernardo Carvalho, A muralha de Adriano, de Menalton Braff, e A copista de Kafka, de Wilson Bueno. Tatiana, autora de A chave de casa, ficou com o prêmio de Melhor Livro do Ano – Autor Estreante, superando Lugares que não conheço, pessoas que nunca vi, de Cecilia Giannetti, Desamores, de Eduardo Baszczyn, Estado Vegetativo, de Tiago Novaes, e Casa entre vértebras, de Wesley Peres.  

Olimpíada da Língua Portuguesa premia 15 ganhadores

Quinze alunos e professores do Ensino Fundamental e Médio de escolas públicas foram premiados na Olimpíada da Língua Portuguesa – Escrevendo o Futuro. Os cinco vencedores de cada categoria foram condecorados com uma medalha de ouro entregues pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de computadores e impressoras. As escolas desses alunos receberão um laboratório de informática com dez computadores e uma impressora, além de livros para sua biblioteca. A Olimpíada teve como tema O Lugar onde vivo e trabalhou três gêneros textuais: poesia, memória e artigo de opinião. Para conhecer os quinze vencedores do prêmio, clique aqui. Para ler os textos, clique aqui.

Livro de 126 mil dólares atrai norte-americanos para biblioteca

Michelangelo: La dotta mano é um livro de 126 mil dólares e aproximadamente 27 quilos, cujas páginas são feitas de fibra de algodão e a capa, em mármore branco, esculpida à mão. Escrito em italiano, é inspirado no Renascimento. A obra, que tem 71 cm de altura e 45 cm de largura, está exposta na Biblioteca Pública de Nova York e a previsão é que sejam produzidos apenas 99 cópias, sendo que 33 já estão prontas e 20 vendidas.

Artigo discute a cultura lúdica na biblioteca

Um artigo de Flávio Paiva, publicado no Diário do Nordeste no último dia 27 de novembro, discute a questão da cultura lúdica nas bibliotecas e o espaço do livro na educação. O autor defende a dinamização de acervos com a literatura infantil, onde "a biblioteca precisa significar espaço de tempo livre onde a criança possa exercitar a imaginação". No decorrer do artigo, Paiva ainda relata que a promoção da leitura e a democratização do livro é um dos focos do governo do Ceará, que recentemente desenvolveu a Bienal Internacional do Livro. Para ler o artigo na íntegra, clique aqui.

Projeto finalista do PNEDH tem biblioteca como um de seus eixos

Um dos finalistas do Prêmio Nacional de Educação em Direitos Humanos (PNEDH), o projeto Coque Vive, de Recife (PE), busca transformar positivamente as representações sociais do bairro popular pernambucano, tendo como um de seus pilares a Biblioteca Popular do Coque. Com um acervo de 4 mil exemplares, o local hoje integra a rede de Bibliotecas Comunitárias de Recife, sendo considerado um importante pólo de encontro de pessoas da região. Ele ainda se transforma, periodicamente, em um local para projeção de filmes que priorizam os direitos dos moradores das comunidades, unindo os moradores. 

Dicas de leitura

A Normalista, de Adolfo Ferreira Caminha
"João Maciel da Mata Gadelha, conhecido em Fortaleza por João da Mata, habitava, há anos, no Trilho, uma casinhola de porta e janela, cor de açafrão, com a frente encardida pela fuligem das locomotivas que diariamente cruzavam defronte, e de onde se avistava a Estação da linha férrea de Baturité. Era amanuense, amigado, e gostava de jogar víspora em família aos domingos.
Nessa noite estavam reunidas as pessoas do costume. Ao centro da sala, em torno de uma mesa coberta com um pano xadrez, à luz parca de um candeeiro de louça esfumado, em forma de abajur, corriam os olhos sobre as velhas coleções desbotadas, enquanto uma voz fina de mulher flauteava arrastando as sílabas numa cadência morosa: — Vin...te e quatro! Sessen...ta e nove!... Cinqüen...ta e seis!...
Havia um silêncio morno e concentrado em que destacava o rolar abafado das pedras no saquinho da baeta verde.
A sala era estreita, sem teto, chão de tijolo, com duas portas para o interior da casa, paredes escorridas pedindo uma caiação geral. À direita, defronte da janela, dormia um velho piano de aspecto pobre, encimado por um espelho não menos gasto. O resto da mobília compunha-se de algumas cadeiras, um sofá entre as duas portas do fundo, a mesa do centro, e uma espécie de console, colocada à esquerda, onde pousavam dois jarros com flores artificiais."
Leia o texto na íntegra

Carrilhões, de Murilo Araújo
"Ora afinal que vale a vida?... o mundo?
— Quando, com riso desdenhoso e largo,
combateste e venceste, o riso, ao fundo
era talvez... era decerto amargo!

Forte! Agora sorri no teu letargo
final, com um riso plácido e profundo
melhor que o riso desdenhoso e largo!
Pois afinal que vale a vida?... o mundo?

Tão nobre, não sofreste entre mesquinhos?
Não tinha abrolhos numa grande parte
das palmas que colheste nos caminhos?

As rosas do triunfo na tua arte
só agora são limpas dos espinhos
para forrar-te o sono e coroar-te!"
Leia o texto na íntegra

Favoritos

Carlos Drummond de Andrade (1902 - 1987)

"Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação."
Os Ombros Suportam o Mundo

  • Entrevista de Drummond ao JB, publicada cinco dias após sua morte, em 22 de agosto de 1987
  • Biografia
  • Bibliografia
  • Poemas
  • Ciao, última crônica de Drummond
  • Drummond lê o poema Mundo Grande
  • Drummond lê o poema Para Sempre
  • Especial da revista Veja sobre Drummond
  • Vídeo sobre Drummond no site oficial do poeta

Agenda internacional

28ª Feira do Livro Ricardo Palma (Peru)
Até 12 de dezembro
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Prêmios Literários

Prêmio Cidade de Porto Seguro – Crônicas
Período de inscrições: até 30 de novembro de 2008
Premiação: Serão publicados todos os textos em livro alusivo, em janeiro de 2009
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35ª Seleção Anual FNLIJ – Prêmio FNLIJ 2009 (Produção 2008)
Período de inscrições: até 31 de dezembro
Aberto a: todos os profissionais do livro e editoras que tenham títulos em língua portuguesa.
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5º Prêmio Barco a Vapor
Período de inscrições: até 28 de fevereiro de 2009
Aberto a: a todos os escritores com mais de 18 anos que apresentem originais dirigidos a leitores entre 6 e 13 anos.
Premiação: R$ 30 mil
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VIII Prêmio Livraria Asabeça 2009
Período de inscrições: 30 de junho de 2009
Premiação: um contrato de edição e impressão
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