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Agora São Paulo - Leitura subterrânea
Máquinas vendem cem mil livros por ano. Mais caros custam r$ 14,90
Carol Hungria e Maria Rita Teixeira

É fato que os brasileiros lêem pouco e que os livros não são muito baratos, mas as máquinas de livros espalhadas pelas estações de Metrô de São Paulo andam mexendo com estas máximas. Só em 2004, elas foram responsáveis pela venda de cerca de 100 mil livros, a preços entre R$ 2,90 e R$ 14,90. O número é igual ao de exemplares vendidos de "Crônica de uma Morte Anunciada", de Gabriel García Marquez.

            A lista dos mais vendidos em 2005 nas estações é encabeçada pela série de Sherlock Holmes e metade das obras mais procuradas nas máquinas é de auto-ajuda. Com a proximidade dos vestibulares, em setembro entraram no ranking clássicos da literatura: "Poemas Completos de Alberto Caeiro" e "Dom Casmurro".

Campeões de vendas nas bancas, os romances das séries Julia, Bianca e Sabrina não aparecem entre os mais vendidos no Metrô (confira ranking ao lado). "Estas obras não vendem muito bem. Grande parte do meu público são alunos de escolas públicas que não podiam comprar livros", diz o empresário Fábio Bueno Netto, que criou as máquinas de livros em 2003.

Para os usuários do Metrô, a motivação maior das compras é o preço e a facilidade. "É superprático, porque a gente espera o trem sem fazer nada. Já comprei muitos livros. Só acho que precisa ter mais variedade", diz Cristiane Aparecida de Souza, funcionária pública.

Atualmente, há 180 opções de livros disponíveis nas máquinas, segundo Netto, que espera ampliar seu negócio. "Vou abrir franquias e, no ano que vem, teremos mil máquinas espalhadas pelo país, em hospitais, faculdades, terminais de ônibus e outros estabelecimentos."

A idéia de colocar livros nas máquinas que tradicionalmente vendem salgadinhos e refrigerantes surgiu com a dificuldade de tocar um projeto em que comercializava os livros a preços populares. "Tinha as obras, mas as livrarias não as colocavam nas prateleiras", conta.

Netto diz que sua idéia já virou notícia até no exterior. Para garantir o bom preço, ele faz compras em pontas de estoque ou em grandes quantidades, e afirma ter margem de lucro pequena. Assim consegue vender "Macunaíma", de Mário de Andrade, a R$ 14,90 -a mesma obra custa R$ 7 a mais nas livrarias. 


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